8
September , 2010
Wednesday

PORTAL REVOLUTA

Cultivando o Underground

Archive for March, 2009

Nueva Etica lança novo álbum e faz mini-turnê pelo Brasil

Posted by revoluta On March - 30 - 2009 1 COMMENT

Os argentinos da banda de hardcore Nueva Etica caminham para onze anos de estrada com 4 álbuns lançados (alguns deles produzidos por nada menos que Tue Madsen), algumas mudanças na formação e turnês pela Europa e América do Sul. A banda desembarca esta semana no Brasil para três apresentações (veja agenda aqui), uma delas para a gravação do DVD no Hangar 110 em SP.
Confira o bate-papo com a banda sobre os anos de estrada, as expecativas para os shows no Brasil e o lançamento no novo álbum 3LIT3.

Por Cremogema*

01. 10 anos de estrada e entre os nomes argentinos no Brasil o que soa mais alto é o do Nueva Etica, o que pensam sobre isso?
Nueva Etica: primeiro quero agradecer a todas as pessoas que nos apoiaram nestes 10 anos de carreira, aos selos que acreditaram na gente, aos nossos familiares já que sem o apoio deles não somos nada. É bom ver como depois de tantos anos de esforço e sacrifícios da banda se ganhe o reconhecimento como referência da cena latina e do mundo.

02. Quando a banda se iniciou a cena straight edge de Buenos Aires estava em decadência ? Foi por este motivo que a banda se iniciou?
NxE: Já não existiam banda que difundissem a filosofia straight-edge nessa época (1998), ao menos não de uma maneira direta, Autocontrol já havia se separado, existia Vieja Escuela, mas faltava uma banda com uma mensagem mais dura e apimentada, por isso nasceu a Nueva Etica e acreditamos que os resultados estão mais do que vistos.

03. “Momento de la verdad” superou as expectativas? Foi definitivamente a
abertura das portas na América do Sul para vocês?

NxE: Acreditamos que “Momento de la Verdad” foi um golpe justo que era necessário para abrir as portas da América do Sul, e dizer ao mundo que na América do Sul ainda existem pessoas que acreditam no straight-edge, mas acreditamos que com “La Venganza de los justos” nós ganhamos o respeito e admiração da América do Sul definitivamente.

nuevaetica2
04. Qual foi a sensação da primeira turnê européia? Houve alguma surpresa inesperada?
NxE:
A melhor sensação do mundo foi poder tocar na Europa, foi algo inesperado pra gente, sendo a primeira banda de hardcore da argentina que cruza o oceano para deixar sua música e mensagem não é uma coisa do cotidiano pra gente. Já estivemos em 2006 fazendo a 2ª turnê na Europa e o bom de tudo isso é que as pessoas se lembram do Nueva Ética depois de 3 anos da última turnê.

05. Conte-nos todos os detalhes de “Inquebrantable”:
Bruno:
Como baterista, gravar Inquebrantable, foi gravar o disco mais importante de toda a minha carreia e para Nueva Etica esse álbum foi um passo muito importante para a o crescimento da banda, creio que fizemos um trabalho muito profissional já que desde o dia em que nos propusemos a compor as músicas e gravar “Inquebrantable” queríamos fazer um disco que falasse na América do Sul e todo o resto do mundo.
O disco foi gravado nos estúdios MCP por Martin Carrizo ( ex-A.N.I.M.A.L.),onde se gravou todas as músicas e a mixagem e masterização ficou por conta de Tue Madsen (Sick of it All, Caliban, The Haunted, Rod Halford, HSB), que se encarregou de fazer com que o disco soasse como uma bomba atômica!

06. Quais as maiores influências da banda?
Bruno: As nossas principais influências vêm do hardcore, mas nossas influências começam com Path of Resistance, passando por Earth Crisis, Madball, Terror até In Flames.

07. Defina straight edge na vida de vocês:
Bruno:
Uma parte muito importante de nossas vidas.

08. Responda rápido:

4 bandas nacionais: Hermetica, Horcas, Orientacion, Knockout.
4 bandas internacionais: Earth Crisis,Hatebreed,Terror, In flames
1 CD: Earth Crisis “Destroy The Machines”
1 livro: Ismael “Daniel Quinn”
Uma frase: Commitment conquer all

09. Como a cena argentina tem correspondido ao mais novo trabalho de vocês?
Bruno:
Muito bem, melhor do que esperávamos , já que este novo disco é um pouco mais pesado que o anterior. O álbum foi muito bem aceito na cena hardcore.

10. O Nueva Etica participa de algum projeto para libertação animal, ajuda Social?
NxE:
Atualmente não estamos participando em nenhum projeto, mas às vezes convidamos para os nossos shows coletivos de libertação animal, que vendem comida e informam o público sobre a libertação animal e o veganismo. Como banda, apoiamos todos os projetos que tenham relação com a liberação animal e humana.

flyer_dvd_nueva_etica111. A gravação do DVD da banda será no hangar 110, qual o motivo da escolha ser no Brasil e não na Argentina? O que mais pesou na hora de decidir?
NxE:
Sempre tivemos uma resposta muito boa do público brasileiro, então pensamos que seria bom fazer o DVD aí. É como uma forma de agradecer a toda a galera pelo apoio durante estes anos. A banda está recolhendo imagens que foram gravadas durante os últimos tempos em todos os shows nos países que visitamos para fazer um DVD que demonstre a grandiosidade da cena latina.


12. Como a banda se porta para não chocarem datas dos projetos paralelos dos integrantes? Nueva ética tem a preferência?
NxE:
Temos sorte de trabalhar com uma pessoa (Ricardo – Burning The Time Booking) que é responsável por organizar os projetos paralelos de todos para não se chocar as bandas e poder tocar sem problemas.

13. Além da gravação do DVD e dos outros dois no Brasil, quais as novidades para 2009?
NxE:
Temos planejado ir a outros países da América do Sul como Peru, Colômbia e Costa Rica. Também pretendemos fazer nossa terceira turnê européia e quem sabe uma turnê pelo México, veremos se dá tudo certo.

14. O que vocês querem dizer quando falam “SEDUCIDOS POR LA DECADENCIA”? De qual decadência as pessoas estão sendo seduzidas ?
NxE:
A decadência do consumismo, da televisão, dos meios viciados, das propagandas, MTV, as drogas e o álcool. A isso nos referimos quando dizemos isso. Costumes que impõe a sociedade, os governos, para manter o povo controlado.

15. O selo Seven Eight Life Recordings tem feito o trabalho esperado pela banda?
NxE:
O Franco nós conhecemos há muito tempo e sempre tivemos uma boa relação com ele, mas não foi quando ele fez a turnê da gente que começamos a ter uma relação banda/selo. A relação com Seven Eight Life começou quando foi realizada a última turnê no Brasil e como tudo saiu muito bem, ficamos muito contentes com o trabalho realizado e daí saiu a proposta de lançar nosso último trabalho já que não tínhamos nenhum selo no Brasil e graça a ajuda do Franco vocês tem 3L1T3 em todo o Brasil e este ano poderemos ir apresentar e gravar nosso DVD. Desde já muito obrigado a Seven Eight Life Recordings por toda ajuda e confiança na gente.

16. 3L1T3 nos traz inovações, mais peso concentrado, essa foi a intenção da banda ao produzir este álbum ?
NxE:
Este disco é muito especial, cremos que mais especial que “Inquebrantable”, não só é um disco mais pesado, mas sem perder o hardcore, pudemos trabalhar com muito mais tranquilidade as composições e a gravação das músicas, escolher o som e fazer os retoques necessários para conseguir superar o som do álbum anterior. Com respeito às composições, é um disco com muito mais metal que os anteriores. É algo que queríamos fazer há bastante tempo. Logo, missão cumprida!

17. Qual a posição das bandas sobre o uso cada vez maior de drogas, bebidas alcoólicas dos jovens ?
NxE:
Cada um é livre para fazer o que quer da sua vida,mas temos que estar conscientes de que essas coisas não são boas para nossos corpos, causam muitos problemas, destroem famílias e provocam mortes, gerando vícios, violência e excessos.
Seria bom se as pessoas tomassem um pouco do tempo pra pensar e refletir que esses excessos não são bons para o nosso corpo, vida e que já outra forma de se divertir e se sentir bem.

18. Vocês acreditam que o hardcore tem o respeito devido dos produtores por onde vocês passam? Os shows são organizados com a estrutura desejada?
NxE:
Ao longo da história da banda a gente tem tocado em lugares gigantes e temos tocado em lugares que são como casas, nunca tivemos problemas com isso já que não somos rockstars, só que às vezes nós dedicamos com muito esforço e dedicação para gravar bons discos e não se preocupam em fazer um bom show para as pessoas que pagaram o ingresso, que acabam escutando as bandas com sons ruins. Nós colocamos a nossa energia para que tudo saia perfeito, mas o produtor também é responsável de dar a melhor estrutura para o público. Essa mentalidade está mudando muito ultimanente e tanto as pessoas como as bandas estão sendo mujito beneficiadas.

19. Mensagem da banda aos leitores e fãs da banda ?
NxE:
Primeiro, muito obrigado a vocês pela entrevista e em nome da banda, muito obrigado a todas as pessoas que assistiram aos shows do Nueva Etica no Brasil em todos esses anos. Esperamos ver toda a galera maluca na gravação do nosso DVD em Abril!!!

NXE 3L1T3 2009.
MUCHAS GRACIAS!

Discografia
Momento de la verdad (1999)
La venganza de los justos (2001)
Inquebrantable (2006)
3L1T3 (2008)

Integrantes
Javier Casas – Guitarra
Gerardo Villalobos – Voz
Bruno Bordon – Bateria
Betoxxx – Voz
Javier Suarez – Bajo
Lisandro Guerra – Guitarra

Mais sobre a banda:
Website: www.xnuevaeticax.com.ar
Myspace: www.myspace.com/xnuevaeticax

Booking Shows
burningthetime@yahoo.com.ar
xnuevaeticax@hotmail.com

Mais sobre o selo:
www.seveneightlife.com

*Cremogema é editor do site Cultura em Peso. Essa enrevista foi originalmente publicada no site Cultura em Peso.

Nueva Etica – agenda no Brasil

Posted by revoluta On March - 30 - 2009 2 COMMENTS

Os argentinos da banda Nueva Etica desembarcam essa semana no Brasil para três shows, entre eles o de gravação do DVD no Hangar 110, no domingo, dia 05 de abril. Leia a entrevista, clicando neste link.
Confira as datas e locais dos shows:

03/04/2009 – Piracicaba/SP
Hardcore Pride e Seven Eight Life Recordings apresentam:
NUEVA ETICA
Justice for all
Retrocesso
Data: 03/04/2009
Horário: 22h30
Local: Benjamin Rock Bar – Rua Benjamin Constant, 2.511
Ingressos: R$ 10,00 (antecipado)* e R$ 14,00 (na porta)
*Simc Escola de Música

04/04 – Brasília/DF
NUEVA ETICA
Linha de Frente
Hellena
Dias de um Futuro Esquecido
Bootlegs
F.D.J
Local: Espaço Floresta (Galeria dos Estados) – Brasília
Ingressos: R$ 15

05/04 – São Paulo/SP
Seven Eight Life Recordings apresenta:
Nueva Etica (Gravação do DVD)
Still Strong
One True Reason
Blood So Pure
Data: 05/04/2009
Horário: 16h
Local: Hangar 110 – Rua Rodolfo Miranda 110 – Bom Retiro – SP
Ingressos: R$15 (antecipados)*/ R$10 (na porta)
* Antecipados na Galeria Do Rock:
Flame – Loja 222 – 1o andar
255 – Loja 255 – 1o andar
Vegan Pride – Loja 424 – 3o andar

Excursões, pessoas de outras cidades, comprem seus ingressos pelo e-mail:
sevenxeightxlife@terra.com.br

Confronto gravará DVD de 10 anos em abril

Posted by revoluta On March - 21 - 2009 ADD COMMENTS

Brutalidade sonora, circle pits e walls of death. Tudo isso num domingo, no Galpão do Jabaquara!
Dia 25 de abril, o Galpão do Jabaquara viverá um momento histórico, quando a banda Confronto irá comemorar junto com o seu público os 10 anos de estrada, recém-completados no início do ano. O show será para a gravação de um DVD e o local foi escolhido por ser o palco de shows históricos da cena independente nacional.
Com realização da Seven Eight Life Recordings e uma produção que promete impressionar, o show receberá caravanas de diversas partes do Brasil, entre elas Rio de Janeiro, Campinas, Piracicaba.
A banda abriu um tópico em sua comunidade oficial no Orkut. Lá os fãs podem escolher as músicas para o set list de gravação, as músicas mais votadas farão parte do show.
Os ingressos são limitados, então se você é de outra cidade, entre em contato pelo e-mail e garanta o seu ingresso: sevenxeightxlife@terra.com.br

25-04-20091

Serviço:
Seven Eight Life orgulhosamente apresenta:
CONFRONTO
Abertura:
Bandanos
Frente a Frente
Still x Strong

Data: 25/04/2009
Horário: 16h
Local: Galpão do Jabaquara – Rua: Anita Costa, 155 – Jabaquara/SP
Ingresso: R$15 (antecipado)*/ R$20 (na porta)

*Antecipados na Galeria do Rock
255 (R. 24 de Maio, 62 – loja 255 – f: 3361-6951)
Flame (R. 24 de Maio, 62 – loja 222 – f: 3224-8916)
Vegan Pride (R. 24 de Maio, 62 – loja 424 – f: 3224-8916)

Mais sobre a banda:
http://www.xconfrontox.com
http://www.myspace.com/confronto
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=559044

Autônomos com CD no forno

Posted by revoluta On March - 21 - 2009 ADD COMMENTS

autonomos_hellnohangar_051208_22O 1º Full-album “Alpinismo” da banda paulistana de hardcore Autônomos está na fábrica, o CD que conta com 12 faixas gravadas entre julho/2008 e fevereiro/2009 teve sua arte desenvolvida por Juliana Cabalin e será lançado em abril via SMD (Semi metalic Disc) pelo selo “Virtual Records” e será vendido por apenas R$ 5,00!
A banda disponibilizou algumas músicas que fazem parte do disco no myspace e quem quiser ficar por dentro das novidades pode acessar o fotolog da banda.

Coäccion em turnê pelo Brasil

Posted by revoluta On March - 19 - 2009 ADD COMMENTS

Os mexicanos da banda crust Coäccion já desembarcaram no Brasil e a Morte aos Tiranos Tour começou pelo Rio de Janeiro e São Caetano. Por onde passou, a banda impressionou por fazer um som redondo, sem frescuras e sem discursos: a atitude está na sonoridade que o trio apresenta. Se já não bastasse a cozinha delinear as músicas da banda com uma bateria brutal, o dono das baquetas ainda tem que buscar fôlego para cantar as músicas, onde é seguido pelo baixo e pela guitarra com peso e rapidez.
Essa semana a turnê continua em São Paulo e Paraná e depois em Belo Horizonte e Divinópolis.
Confira os flyers, acesse o myspace e veja os detalhes para assistir a esse show brutal:

19-03-improprio

20-03-sorocaba

21-03-maringa

22-03-cartaz

26-03-flyer-caffeine

27-03-coaccion

28-03-coaccion-bh

flyer-29-03

Wlad Zona Cruz Punk

Posted by revoluta On March - 10 - 2009 1 COMMENT

O site Zona Punk está completando 10 anos e resolvemos bater um papo com seu editor pra saber um pouco da história do site e do workaholic Wladimyr Cruz, figura carismática e carimbada do cenário independente que não para nunca, sempre inventando uma maneira de espalhar cultura e, principalmente música, seja através do site, selo, festas, shows ou até mesmo lançando um livro gratuitamente, disponível na rede pra download.
Para Wlad Cruz, entrevistar é devassar e é isso que vocês terão aqui, um pouco da história do editor e do site devassada. Divirtam-se.

Por Deise Santos

O Zona Punk está completando 10 anos. Mas pra chegarmos a essa história, vamos voltar mais no tempo pra saber: qual foi o seu primeiro contato com o rock?
Bom, é algo que veio de casa. Meus pais, também jornalistas ligados a música, e minhas irmãs mais velhas. Acho que a memória mais antiga que tenho relacionada ao rock, é o KISS. Com o tempo fui absorvendo o que aparecia em meus ouvidos, seja em casa, ou em rádio, TV. Programas como Som Pop e Realce me deram norte, e me ensinaram a curtir nomes como Ozzy (na época, fantasiado de bicho preguiça no “Bark at the moon”), Mötley Crue, WASP, AC/DC, e por aí vai. Até o dia que tomei um tapa, quando vi o clipe original de “Pretty Vacant” dos Sex Pistols. Aí fudeu-se tudo.
Com o punk que assumi a verdadeira identidade musical, sem abandonar as outras, claro. E fui exuzar meu pai, “pai, quero um disco dos Sex Pistols”, e ele: “você já tem”. E me deu o compacto original de “God Save The Queen” que meu então padrinho, Kid Vinil, havia trazido do Reino Unido pra mim.

13022009082Com uma influência dessas não é difícil ingressar no mundo do rock… Mas como foi a partir daí, tinha-se a TV com programas musicais, seu padrinho trazendo novidades… Os garotos da sua idade acompanhavam essa movimentação musical? Ou era aquele papo de você curtir sozinho em casa o mundo novo?
Não, de forma nenhuma, até porque eu era muito novo. Foi engraçado até quando fiz meu profile no orkut, um cara veio me adicionar. “ah, você é o wladimyr, que morava em tal lugar e estudava em tal lugar?”, e eu, “sim e você quem é?” e a resposta pra não deixar dúvidas “ah, estudei com você na quarta-série do primário, você usava uma camiseta do KISS” (risos). Parece absurdo, mas me lembrei na hora disso.
A troca de informações era basicamente familiar, com minha irmã mais velha me mostrando coisas, principalmente rock nacional (RPM, Engenheiros, Titãs etc) e meu pai com coisas, digamos, mais descoladas, tipo Clash, Blondie, Devo. E eu claro, tentava passar isso pros amigos de escola.
Assumo. Sou o culpado por ter feito dois ou três meninos de 10 anos de idade serem cabeludos e brigarem com seus pais. (risos)

Tudo esteve sempre muito perto de você: pais jornalistas e amantes de música e você foi fisgado pelos Pistols. Até aí ok. Você poderia curtir música e seguir outra carreira profissional. Mas quando e como foi que você começou sua carreira no jornalismo musical?
Acho que me espelhando pelo que tinha em casa, sempre li muito, e no caso, MUITO sobre música, rock. Revistas, livros, o diabo a quatro. Aí por volta de 1992 ou 93, comecei a fazer um fanzine com um amigo. A gente escrevia e o pai dele digitava em, sei lá, um 386, e imprimia naquelas folhas de impressora matricial, pois ele trabalhava no correio. A idéia era falar sobre o grunge, punk, essas coisas. Mas era totalmente for fun, sem nenhuma grande pretensão.
Em 1996 comecei a fazer fanzine pra valer, chamado Rebel Magazine. Começou como uma folha sulfite dobrada no meio, obviamente com meus pais dando um apoio. Saí pra rua, arrumei anunciantes, e a coisa começou a seu auto-sustentar. Ou seja, pensando bem, fazem uns 13 anos que vivo de “jornalismo” musical. Entre aspas, pois jornalista mesmo é Hunter Thompson, sou só um roqueiro que gosta de escrever.

Onde você morava nessa época?
Em 1995 mudei pra Santos/SP, e lá que comecei a levar a sério o papo do fanzine.

O fanzine era distribuído somente em Santos?
Mais ou menos, dependia da arrecadação de anúncios. Eu fazia algo em torno de 5.000 cópias quando o mês era bom, aí deixava uma certa quantidade em São Paulo na galeria, e claro, mandava para todos meus contatos de fora via carta social (risos). Chegava ao correio lotado de cartas e com R$ 1 mandava o fanzine até pro inferno. Mais pro final da existência dele, quis profissionalizar, ele assumiu o formato revista, com capa colorida, diagramação eletrônica, e tudo mais. Aí ficou inviável de ficar mandando. Além disso, em 1998 ou 97, não lembro, comecei também a fazer coletâneas que vinham com o fanzine, muito influenciado no caso por outro zine da baixada, o “academiadepunkrockzine”, que era feito pelo Atibaia (White Frogs, Safari Hamburgers). No meu caso eram coletâneas piratas, com sons de bandas gringas e tal, chegando até uma coletânea chamada “Rebel Tape Vol. 1″, onde consegui na época o apoio de alguns estúdios, os quais deixaram as bandas gravarem seu som, ou seja, essa coletânea veio com músicas e bandas inéditas da cena local, inclusive ali foi a estréia do The Bombers, que depois lançamos via selo do ZonaPunk.
Enfim, mesmo na época do fanzine, eu já corria atrás e fazia as mesmas coisas que existem hoje no ZonaPunk, a produção de shows, CDs, etc.

Depois do fanzine, o próximo passo foi a colaboração em revistas. Em quais você colaborou? E o que esse período significou pra você?
Colaborei em várias de pouca expressão, e comecei também a ampliar o leque, falando sobre literatura, cinema, cultura pop em geral. No ramo da música, fui parar na Rock Press, a convite da editora, com lobby do grande João Velloso Jr, sem dúvida uma das pessoas que mais me apoiou e incentivou nesse negócio doido.
O período que trabalhei em qualquer publicação a qual eu não era meu próprio editor
significou muito pra mim, pois ali aprendi que o melhor editor do mundo sou eu mesmo (risos). Brincadeira. Foi importante para aprender um pouco mais como funcionava a coisa toda, a burocracia principalmente. Sinto falta às vezes de dead lines, pautas sem motivo e entrevistas com bandas que eu jamais havia ouvido antes.

Por falar em bandas que você jamais tinha ouvido antes, quais você conheceu nesse período e que foram “favoritadas por você”?
Nesse período? Isso era 1999, foi quando comecei a conhecer o tal ‘emo’. At The Drive-In, Jimmy Eat World, Alkaline Trio, Juliana Theory etc etc. Também comecei a pirar nas bandas garage rock americanas de selos como Estrus e Bad Afro. Mas descobertas minhas, via revista só conheci coisas que jamais ouvi antes, nem depois, tipo o Lambchop (risos).

rio40022E quando você resolveu ser seu próprio editor?
Na verdade desde sempre, com o fanzine. Mas já entendi, você quer que eu fale como começou o ZonaPunk (risos). Vou começar a fazer igual aquelas bandas que inventam histórias doidas pra cada vez que vem a pergunta “o que significa o nome da banda” (risos). Brincadeira.
Enfim, eu estava ainda na Rock Press e fazendo o fanzine em papel, Aí um dia achei um site chamado zonapunk.cjb.net. Era feito por três pessoas, 2 gaúchos (Saulo e Pedro) e um carioca (Leandro). Em resumo, mandei meu fanzine pro Saulo pra ele fazer um review sobre o mesmo no tal ZonaPunk, e ele pirou, pois no fanzine havia entrevista com o Down By Law e Shelter, se não me engano, e pediu pra publicar as entrevistas no recém-formado site. Liberei e logo entrei pro time. A partir daí, levei a sério essa história doida de “site punk de news brasileiro”, já que não existia nenhum, e fui trabalhando. Larguei o fanzine e caí de cabeça, já entrando como editor, por assim dizer. Com o tempo, os fundadores foram saindo e eu fui ficando, até o dia em que só sobrou eu, e re-comecei tudo do “zero”, com nova equipe, nova programação, layout e proposta.

E lá se vão 10 anos… Desse tempo todo de Zona Punk, você reúne muitas histórias. O que você e/ou o ZP conquistou nessa década?
Eu conquistei minha vida, meu futuro, o que sou e serei até o fim. O ZonaPunk é meu trabalho, minha diversão, toma conta de 70% do meu dia e por culpa de um site, fiz, vivi e experienciei coisas maravilhosas e horríveis, moldando assim quem sou hoje.

Ter um site com a idoneidade que o Zona Punk tem, com certeza abriu portas pra você entrevistar bandas e pessoas que você nem imaginaria. Qual foi a entrevista mais marcante pra você em todos esses anos?
Cada uma é cada uma né? Pois cada pessoa é diferente. Gostei demais de conhecer mais o Joe Queer (The Queers), Dave Smaley (Down By Law) e me diverti demais com o Man Or Astro Man?. Não são os mais famosos ou as bandas que mais gosto, mas foram marcantes, surpreendentes pra mim. Hoje em dia ando chato, dispenso entrevistar até ídolos, como foi esses dias com o Keith Morris do Circle Jerks, mas acho que depois de entrevistar tanta gente, agora só farei aquela que me dê tesão, aquela que você vai falar, “pqp”. Quem seria? Billy Corgan do Smashing Pumpkins, um Trent Reznor (NIN), Perry Farrel (Jane’s Addiction), os Mikes, Patton e Ness, ou mesmo um Johnny Rotten (risos).
Entrevista não é um jogo de perguntas e respostas, é devassar, se abrir e ser aberto (ops!), então tem que ter tesão na coisa. Se é pra responder questionário, que vá fazer vestibular (risos).

Você lançou há pouco tempo um livro, com uma coletânea de entrevistas. Porque um livro com entrevistas publicadas? Pode-se dizer que elas contam, de certa forma, a sua história?
Não, não conta. Conta a história dos outros… (risos) O livro foi uma espécie de “ok, deixa eu ver o que eu já fiz”, como um portfólio pessoal, e claro, uma forma de deixar registrado tantos anos de blá blá blá com essa galera toda.
O livro foi lançado gratuitamente, via download, e em formato pen-drive, num valor acessível. Tentei fazer algo diferente, sem pirar muito. Afinal, quem sou eu pra ter um
livro de entrevistas? Deixo isso pro Zeca Camargo (risos).

Você falou que já teve experiências maravilhosas e horríveis. As experiências maravilhosas imagina-se que foram muitas. Mas qual foi o pior momento que você viveu por conta do Zona Punk?
Sem dúvida o rolo monstro do show do Misfits, onde fui obrigado a fechar a loja que havia aberto e entrar na justiça contra a casa que prejudicou a produção do show, num processo no valor de 101 mil reais. De qualquer forma, os que não conhecem o ZonaPunk, obviamente, ficaram contra, mesmo sem nem saber o que houve direito ou qual o grau de envolvimento do site com o caso, mas também tivemos o apoio de muita gente, e isso foi muito bacana, pois mostrou que temos os nossos ao nosso lado.

O Zona Punk não é só um site, é um selo e uma produtora de shows. Que tem projetos audaciosos como o Vans Zona Punk Tour. Como administrar isso tudo?
Bêbado, claro (risos). Na verdade é bem complicado, pois tenho que administrar meus loucos horários pra dar conta de tudo. Vivo viajando pra cima e pra baixo, fiz até um google callendar pra me achar (risos). Mas é assim mesmo, o importante é ter boa vontade e perserverança.

thedonnas_ss_17Então, dez anos de Zona Punk. Essa data não vai passar em branco, vai?
Não, jamais. Começamos 2009 com a esbórnia da premiação dos melhores do ano, e temos uma série de festas e shows em diversas casas para todo tipo de público. Pra começar serão 10 festas/shows nas duas principais casas de rock de São Paulo, o Outs e o Hangar 110, além disso, estão previstos shows comemorativos em outras praças como Santos, interior de SP etc. Devemos encerrar o ano, de duas uma, ou uma nova edição da tour, reformulada, ou um festival monstro. Veremos.

O meu querido editorial parece ser um momento de descontração pra você. É o seu momento Lester Bangs?
É meu momento de cueca, bebendo e me preparando pro verdadeiro porre do fim de semana. A hora em que eu tento uma aproximação do público, falando as merdas que falo na mesa do bar, seja sobre o BBB, a Mallu Magalhães ou mesmo assuntos mais sérios. É a hora de vomitar toda aquela sobrecarga de cultura pop que assolou a minha (nossa) mente durante a(s) semana(s). E incrivelmente, é o grande hype do site, atingindo até 20.000 acessos.
Um dia faço o meuqueridoeditorial.com.br. (risos)

Antes de finalizar, vamos fazer um top 10 de alguns itens, ok?
O
kay

Liste as suas 10 músicas nacionais preferidas:
Vamos fazer assim, 5 independentes, 5 majors ok? Sem ordem de preferência.
Indies
- Hateen – “404 Not Found Again”
- Garage Fuzz – “Pitiable”
- Forgotten Boys – “Cumm On”
- Holly TREE – “Hey Stop It!”
- Dance Of Days – “Correção”

Majors
- Raul Seixas & Marcelo Nova – “Rock N’ Roll”
- Titãs – “Diversão”
- Engenheiros Do Hawaii – “Ando Só”
- Camisa De Vênus – “Metástase”
- RPM – “Juvenília”

Liste as suas 10 músicas internacionais favoritas:
As 10 internacionais seriam as mais emblemáticas da minha vida, este é o critério, sem ordem:
1 – Sex Pistols – “Pretty Vacant”
2 – Guns N’ Roses – “Welcome To The Jungle”
3 – Smashing Pumpkins – “Ava Adore”
4 – Classix Noveaux – “Guilty”
5 – Weezer – “Tired Of Sex”
6 – The Offspring – “Self Esteen”
7 – Depeche Mode – “Enjoy The Silence”
8 – Soft Cell – “Tainted Love”
9 – Refused – “New Noise”
10 – Stooges – “Search & Destroy”
E não, não sei criar listas mirabolantes com hypes e bandas que brotaram ontem no MySpace. Só pra parecer que manjo muito e sou “antenado”

Wlad, grata pela entrevista. Desejo sucesso e força mais e mais pro Zona Punk e todos os projetos que você se envolver. O espaço agora é pra você deixar o seu recado:
Fat Mike fala por min: “When did punk rock become so safe? / When did the scene become a joke? / The kids who used to live for beer and speed / Now want their fries and coke”. Me encontre no bar e me pague uma cerveja.

Para conhecer mais e acompanhar:
http://www.zonapunk.com.br
http://www.zonapunk.com.br/zprecs
http://www.fotolog.net/zonapunkcombr
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=442264
http://www.blurty.com/users/zonapunk
http://twitter.com/zonapunk

Fotos:
01 – Wlad e Bouncing Souls
02 – Wlad
03 – Wlad e Brett (The Donnas)

Dead Fish + Nitrominds + Confronto + Zander

Posted by revoluta On March - 8 - 2009 10 COMMENTS

Dead Fish + Nitrominds + Confronto + Zander
(Circo Voador/RJ – 06/03/2009)

Numa sexta-feira em que os termômetros do Rio de Janeiro quase explodiram ao marcarem 43 graus em alguns bairros, a Lapa presenciou o primeiro show da turnê do novo álbum do Dead Fish, Contra Todos.
A noite começou com um Circo Voador meio vazio, prova de que os cariocas não se acostumam com shows começando na hora marcada. A banda Zander subiu ao palco e o público começou a chegar e mostrar que a noite prometia. Mesmo sendo uma banda ainda pouco conhecida do público, o show foi empolgante com um set curto, que mostrou faixas do EP Em Construção lançado em 2008 e abriu caminho para que a banda Confronto subisse ao palco. O quarteto que está completando 10 anos tocou músicas do álbum Sanctuarium e fizeram a lona virar um caldeirão, com circle pits insanos em diversas músicas, além do Wall of Death que já virou tradição. Set curto que fechou com a música Negação, sempre muito esperada pelo público que cantou em coro.
Quinze minutos de chuva pra refrescar e colocar o público pra dentro da lona e o power trio Nitrominds começou os trabalhos. Empolgada por estar no Rio de Janeiro mais uma vez, a banda fez um show enérgico, mesclando músicas do último álbum Verge of Collapse e dos álbuns anteriores, nesse momento a lona do Circo Voador já estava totalmente lotada, o que deu mais energia para que o trio fizesse um show memorável.
Fim do show, luzes acesas, hora de preparar o palco para o show mais esperado da noite.
Dead Fish entrou no palco e, assim como no novo álbum, o papo foi reto, abriram com Venceremos, seguida de Não, duas músicas novas que deram o tom do que seria a noite: energia e diversão, recheadas de letras ácidas. A banda continua em alta e a sintonia com o novo baterista Marcão (Ação Direta e Música Diablo) é total. O set list foi digno de uma festança com 0 & 1, Afasia, Perfect Party, Sonho Médio, entre outras, sempre mesclando com as músicas do novo álbum, entre elas Autonomia, Quente, Asfalto e Shark Attack, essa tocada em homenagem aos pernambucanos presentes.
O tom de festa permeou todo o show, com o vocalista oferecendo músicas aos amigos que ele via no meio do público e recadinhos para a galera que teimava em subir ao palco. Atento e atencioso, Rodrigo avisava: “sobe mas pula logo”. Infelizmente não foi atendido. O baixista Alyand esqueceu as notas e tocou a música O Melhor exemplo do que não seguir com as notas erradas. Com ironia Rodrigo convocou a banda a tocar tudo de novo e o público ouviu a música uma vez e meia.
O show mostrou um novo-velho Dead Fish: com uma só guitarra, baterista novo e a mesma velha vontade de fazer um show divertido, com letras que fazem pensar e sonoridade que lava a alma de quem se propõe a entrar no clima da banda.

O Melhor exemplo do que não seguir

O show teria sido perfeito, caso algumas pessoas não quisessem aparecer mais do que a banda e curtissem o show da forma mais tradicional, assistindo de baixo do palco, cantando as músicas, se empolgando, pogando e compartilhando com os amigos aquele momento.
Infelizmente não foi o que aconteceu, o que fez com que o show tivesse um ponto negativo, que já era esperado, mas que foi potencializado ao extremo pelo público: as diversas (diria: dezenas?) subidas de fãs ao palco atrapalharam a banda e fez do show um “festival de alguns segundos de fama” para os ilustres desconhecidos que teimavam em subir ao palco, driblando os seguranças, tirando as caixas de retorno do lugar e dando tapinhas na bunda do vocalista Rodrigo, fora as poses pra fotos e outras bizarrices presenciadas por um Circo Voador lotado.
Nada contra aos já tradicionais stage dives e mosh’s, eles fazem parte dos shows, assim como os circle pits e rodas de pogo. E tudo seria divertido se não fosse o exagero e a falta de senso comum. As pessoas pulavam no público em pé, o que poderia causar algum dano a quem estava somente a fim de ver o show e causou, porque ao menos um fã saiu com uma fratura. Ok, acidentes acontecem em qualquer lugar ou situação, mas no caso um acidente parecia iminente, já que a incoerência do público foi total.
A piada só foi divertida pra quem contou, ou seja, só foi legal subir ao palco pra quem subiu. Quem queria ver o show não curtiu essa atitude, os seguranças foram perdendo a paciência (óbvio) no decorrer do show e a banda tinha que driblar os fãs pra poder cumprir o que foram fazer ali: o show de lançamento de um álbum que, curiosamente fala do papel de cada um, das escolhas e do imediatismo. Estariam os invasores de palco Contra Todos?
Incomodava ver que por vezes o vocalista precisava “fugir” pra conseguir cantar, se abrigando ao lado do baterista ou indo pro fundo do palco.
Será que as pessoas não entenderam que era uma festa pra todo mundo se divertir? Era o primeiro show da turnê de Contra Todos e o que o público poderia fazer era retribuir a energia que sempre se recebe tanto ao ouvir os álbuns da banda quanto nos shows, que são sempre memoráveis.
Não espantaria entrar numa casa de shows e ver que os promotores resolveram colocar aquelas grades de proteção, para dividir o público da banda. Porque além de atrapalhar os músicos no palco, as subidinhas ao palco podem trazer prejuízos com a quebra de algum equipamento.
Que nos próximos shows da turnê a banda consiga executar as músicas sem a invasão do palco.
A atitude do público invasor de palco no Circo Voador na noite de estréia da turnê de Contra Todos é o melhor exemplo do que não seguir, busquem o diferencial e não se deixem levar.

Deise Santos

set-list-dead-fish1

Coäccion no Brasil

Posted by revoluta On March - 6 - 2009 1 COMMENT

A banda mexicana de crust/d-beat desembarcará no Brasil na próxima semana para uma série de shows.
Organizados pela Revoluta Produções em parceria com Audio Rebel e Parada Obrigatória, os dois shows cariocas da Morte aos Tiranos Tour, abrirão a turnê dos amigos mexicanos que ainda passarão por São Paulo e Minas Gerais. O Revoluta conversou com o baterista e vocalista da banda há um tempo atrás e a entrevista pode ser conferida aqui.

13-03-2009-coaccion113-03-2009 – Sexta-feira
Coäccion
Kopos Sujus
D.A.D.
8MM
Data: 13/03/2009
Horário: 17h às 22h
Local:Audio Rebel – Rua: Visconde de Silva, 55 – Botafogo/RJ
Ingresso:R$8 (na lista amiga da Audio Rebel)*/ R$10 (na hora)

*Lista amiga na comunidade da Audio Rebel


14-03-2009-coaccion-bangu14-03-2009 – Sábado
Coäccion
S.M.H.
Sanhaço
Kopos Sujus
Mundo no Kaos
Massacre Urbano
Data: 14/03/09
Horário: 21h
Local: Parada Obrigatória – Rua: Maravilha, 77 – Bangu/RJ
Ingresso: R$3 (na lista amiga do Parada Obrigatória)*/R$5 (na hora)

*Lista amiga na comunidade do Parada Obrigatória

Informações: www.fotolog.com/revolutaprod

Blaze Bayley dá o ponta pé inicial nos shows de peso no Rio em 2009

Posted by revoluta On March - 6 - 2009 2 COMMENTS

Blaze Bayley
(Circo Voador – 19/01/2009)

foto_michael021Na véspera de feriado do padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, o palco do Circo Voador recebeu o Ex-Iron Maiden Blaze Bayley, que fez um show onde o metal foi bom até o osso, sem ficar se prendendo a sua antiga banda. Vale lembrar que enquanto o velho Circo teve Blaze Bayley, não muito longe dali a Praça da Apoteose recebia Elton John e com isso a temporada de shows internacionais da cidade maravilhosa foi abençoada pelo “Rocket-Man” do pop e “Robot” do Heavy.

Por  Michael Meneses! (texto e fotos)*
Colaborou: Jon Dacyony

Aquela não era a primeira vez em que um ex-vocal do Iron se apresentava no Circo Voador, alguns anos antes a bola da vez foi o Paul D’Anno, porém, existe a diferença entre os shows dessas vozes de “ferro”:
Paul D’Anno se prende ao passado e não dá a mínima aos seus trabalhos solos. Seu esquema é ser um eterno “Iron Cover”, enquanto Blaze Bayley respeita sua fase na maior banda de metal de todos os tempos, com o diferencial de priorizar sua carreira solo.
Antes do show do Blaze duas bandas cariocas realizaram a abertura, o que deixou a pergunta: Quais os critérios para a seleção de tais bandas? Ambas deixaram a desejar, sobretudo por ser um show internacional. O Rio de Janeiro tem ótimas bandas que fariam bonito num show desse porte. Statik Majik, Panacear, Vox Mortem, Prophecy… São só algumas bandas de metal e afins e se o leque fosse estendido a outros estilos do rock as opções cariocas são infinitas.
Holy Cross foi a primeira. Percebia força de vontade da banda em apresentar um heavy-tradicional, mas faltava um pouco de entrosamento. Septerra é a seguinte e mostrou certa evolução se comparada à primeira, mas nada que justificasse sua presença no evento. Tanto o Holy Cross como Septerra têm futuro, e devem engrandecer o cenário carioca em breve. Antes é preciso mais vivência e experiência no difícil mundo do rock para ambas! Um erro delas foi tocar covers do Iron Maiden em seus sets. As versões ficaram a desejar, e isso sem falar que fazer cover da ex-banda do cara, mesmo sendo musicas da fase Bruce Dickinson, não é algo original.
foto_michael03Passado os shows de abertura, já era clara a certeza que o Circo Voador teria um público abaixo do esperado, pois infelizmente o público metal no Rio não é um santo padroeiro, e o resultado foi que o esforço da produção em fazer esse show na cidade não foi reconhecido e o Circo Voador teve um vergonhoso público. Contudo, algumas figuras carimbadas da cena carioca marcaram presença. Por outro lado quem não foi perdeu, e perdeu feio, pois o heavy apresentado por Blaze Bayley foi de “Kill And Destroy” de tão bom! Blaze agora está mais livre no palco, o mesmo não carrega o peso de ser vocal do Iron, substituindo a voz de Bruce Dickinson. Em carreira solo Braze Bayley canta, corre, agita e conquista o público com sua própria “Identity”. Méritos também para a banda que acompanha. Sim! Músicas da sua fase no Maiden se fazem presentes em seu set, mas nada que o faça ficar vivendo de passado. Hoje ele faz sua própria historia.
O show chegou ao seu fim lá pelas 3 horas da madrugada. Foram cerca de duas horas de heavy-metal sem aditivos ao estilo, no máximo uma ou outra pegada mais thash-metal e quem foi ao Circo Voador presenciou a performance de uma voz que no momento escreve sua segunda história dentro do Heavy Metal mundial.

* Michael Meneses é fotojornalista e dono do selo Parayba Records!

Contato: paraybarecords@hotmail.com

setlist


A cultura em Aracaju não anda meio desligada

Posted by revoluta On March - 6 - 2009 2 COMMENTS

Mutantes + Daysleepers + Naurêa + Maria Scombona
Festa de 13 Anos da Rádio Aperipê FM
(Parque da Sementeira – Aracaju/SE – 13/12/2008)

Texto e Fotos – Michael Meneses!*

Em comemoração dos 13 anos da Aperipê FM, a capital Sergipana de Aracaju foi presenteada com um show memorável dos Mutantes. A banda retornava de uma tour internacional e apresentou um set preciso, agradando a todos que prestigiaram esse grande evento gratuito que aconteceu num gostoso fim de tarde de sábado, onde todos os climas foram perfeitos.
03Cultura e Informação esse é o lema da Aperipê FM (emissora filiada à TV Cultura) e o evento representou o lema do início ao fim, tendo em vista que o show reuniu gente de várias cidades do interior sergipano, caravanas de estados vizinhos, além de todas as tribos e gerações do rock sergipano que marcaram presença, o que justificou o item “Informação” e justamente essa aglomeração dos mais variados tipos de pessoas acresecentou ainda mais “Cultura” ao evento, que ainda teve a ótima escolha de ter o Parque da Sementeira como palco do show, o local é uma espécie de Quinta da Boa Vista no Rio de Janeiro ou um Parque do Ibirapuera em São Paulo, (claro que em proporções menores) o que deu uma sensação de revival aos anos 60 e 70 quando shows dos Mutantes e outras bandas da época aconteciam em sítios de cidades do interior do sudeste do Brasil.
O evento começou com os sergipanos do Daysleepers que pelo o que se viu foi a banda com mais cara do evento, porém por ser a banda caçula na cena sergipana empolgaram pouco os presentes, que ainda chegavam ao gramado timidamente. Contudo, a banda mostrou que tem talento para deixar sua marca na cena local e, porque não, nacional.
Naurêa foi a banda de abertura mais empolgante, porém menos rock da noite, uma mistura de forró e rock que agitou o público logo de cara. Gente dançando em rodas eram vistas de longe no meio da mutidão. O show ainda teve uma jam com o rapper sergipano Ganso que deu o toque black na parada.
02Já com uma estrada nas costas a banda Maria Scombona finalizou as apresentações de aberturas. A banda mistura elementos regionais ao seu som e vem há um tempo trabalhando uma boa divulgação no cenário regional e sua bagagem certamente foi determinante para serem os headlines entre as bandas de aberturas.
Por outro lado bandas como Snooze, Plástico Lunar, Máquina Blues e Perdeu a Língua, poderiam estar presentes no evento, misturados a essas mesmas bandas que tocaram na noite, não todas elas juntas, mas ao menos algumas delas.

“Mutantes Depois”

Entre um show e outro um mestre de cerimônia divulgava eventos da cena rock local, o que deu um clima de undergound ao evento que a essa altura já tinha o gramado do Parque lotado. Não consigo imaginar menos de cinco mil pessoas no local. Além dos mestres de cerimônia a direção da rádio veio agradecer o carinho dos presentes e lembravam que há uns 10 anos um evento daquele nível era difícil de imaginar em Aracaju/SE, o que é um fato, mesmo que nos últimos 15 anos bons festivais e shows importantes tenham acontecido na capital Sergipana, um show daquele nível não seria comum.
Lembrando os fatos ocorridos nos anos 60 o mestre de cerimônia anuncia 01Os Mutantes que sobem ao palco ao som de “Dom Quixote”. Nesse momento já não existe muitos espaços vazios no gramado do parque e uma multidão canta perante a um momento raro. Afinal não é todo dia que Os Mutantes tocam em Aracaju de graça.
Tudo bem que Rita Lee fez o show gratuito na virada desse ano e até correu um boato na cidade que Os Mutantes iriam tocar ainda com Zélia Duncan nos vocais no Projeto Verão (evento gratuito que acontece na Orla de Aracaju todo ano).
Porém o show da Sementeira foi pefeito. Tudo se encaixou; o local, o palco, o som, um lindo céu em uma noite de clima gostoso em Aracaju.O que fez o show da Rita Lee e o show inexistente do Mutantes no Projeto Verão coisas do passado.
O povo não acreditava. Punk´s, Heavys, Hippies, Indies e artistas locais variados, unidos em completa harmonia, alguns estavam tão felizes com o que se via e ouvia no palco, como o Vicente Coda um dos fundadores da banda Karne Krua, que parecia pinto no lixo pulando e gritando que já poderia morrer em paz.
O show pipocava, mas foi em “Cantor de Mambo” que Sergio Dias mostrou o porquê de ser um grande nome da guitarra nacional. Sem nenhum tipo de “joguinho” ele é um verdadeiro guitar hero nacional. Sem falar que a banda estava afinada, onde a percusionista Simone Soul se destaca com uma boa performance ou mesmo no backing vocal. Enfim o show agradava a todos e pelo que  o Sergipe viu os gringos não se decepcionaram com o que foi mostrado lá fora.
O show continua com mais clássicos, destaque para “2001″ que agrada em cheio o público sergipano com sua mistura caipira (Sem trocadilhos).
Quem também caiu no gosto dos presente foi a música nova da banda “Mutantes Depois” que não apenas agradou, como serviu de tempero para a continuação do set com: “Ave Lucifer”, “Balada do Louco”, “Ando Meio Desligado” e o heavy metal mutantes “Cabeludo Patriota” gravada pelo Sepultura no tributo ao não mais presente no Mutantes do século XXI, Arnaldo Batista, no início dos anos 90.
O show vai chegando ao seu fim e logo após Sergio Dias apresentar a banda deixando por último sua esposa e atual vocalista do Mutantes, Bia Mendes, em uma atitude estratégica para fechar o set com “Minha Menina”.

Bat Macumba Bis!

Se “Minha Menina” fechou com chave de ouro o set, ainda restava o bis, e esse prometia. Desde cedo o povo pedia por “Bat Macumba” motivando com que Sergio Dias brincasse com o público os chamando de “Macumbeiros” e eis que a banda volta ao palco “Batendo Macumba” e finalizando a noite com todo o chame de “Panis et Circencis”.
Minutos depois a banda recebeu simpaticamente alguns fãs no camarim.
Aracaju provou que é capaz de realizar grandes e bons eventos de rock sem ficar devendo a nenhum outro estado, para isso basta acontecerem dois fatores:
1 – Organizadores investirem em eventos.
2 – Público prestigiar o investimento dos organizadores, seja tal investimento de graça ou não.

*Michael Meneses! – É filho de mãe Sergipana nascida na cidade de Itabaiana/SE, morou nos anos 80 na capital Aracaju e nesta familiar cidade conheceu o bom e velho rock and roll em 1986.

Contato: paraybarecords@hotmail.com

Recent Comments

O Portal Revoluta foi criado pela jornalista, produtora cultural e inquieta por natureza, Deise Santos. Começou como um blog, o Informativo Revoluta, que agora ganha o formato de site, com domínio próprio.
O objetivo continua o mesmo, veicular informações sobre a cena independente através de entrevistas, resenhas, matérias e artigos para o maior número de pessoas possível, ao redor do mundo.

Sobre a editora Carioca de nascimento, moradora da Baixada Fluminense do Rio de Janeiro e cidadã do mundo por opção. Deise Santos é amante da cultura em todas as suas vertentes e responsável pela Revoluta Produções e Assessoria de Imprensa.

Recent Comments

Nueva Etica – agenda no Brasil

On Mar-30-2009
Reported by revoluta

Ação Direta: álbum de inéditas + best of

On Jul-10-2009
Reported by revoluta

Ação Direta – 20 anos TOUR 2008!

On Nov-20-2008
Reported by revoluta

Festival Rock de Batom – IV Edição

On Sep-26-2008
Reported by revoluta

Leptospirose na estrada

On Nov-24-2008
Reported by revoluta