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September , 2010
Wednesday

PORTAL REVOLUTA

Cultivando o Underground

Archive for the ‘Artigos’ Category

The Exploited + Agrotóxico + Busscops

Posted by revoluta On November - 21 - 2009 ADD COMMENTS

The Exploited + Agrotóxico + Busscops
(Inferno Club/SP – 14/11/2009)


Texto por Deise Santos
Fotos por Flávio El Loco


A invasão punk continua. Depois da passagem de Sham 69 e GBH, agora foi a vez da lendária banda The Exploited tocar em São Paulo. A tríade Ataque Frontal, Sick Mind e Inferno Club vem dando certo e a prova disso foi o show dos ingleses da banda The Exploited. Tudo bem que poderiam ser dois dias de show, com casa lotada com toda certeza, mas ok, os ingressos esgotados transformaram o numero 501 da Rua Augusta num inferno, literalmente. Por conta de atrasos na passagem de som, o show começou um pouco depois do horário marcado. Nada que desanimasse o público que prestigiou o evento desde o início, presenciando um show brutal do trio Busscops. O som visceral do trio chamou a atenção de quem já estava dentro da casa e a oportunidade de tocar para um público tão variado e numa noite tão memorável, com certeza, abrirá portas pra essa banda paulistana de punk e hardcore, que tocou sons do split recém-lançado com os norte-amercianos da banda Defect Defect. rev-img_8133Na sequência, a banda Agrotóxico invadiu o palco e deu o tom de como seria o resto da noite: brutalidade e energia sem limites. No set list, músicas do álbum Libertação, como “Eles não vão parar”, “Fim do Mundo” – que teve a participação do Makon (Lobotomia) -, “Ateus em Trincheiras”, além de “G7”, “Crime Ambiental Corporativo”, “À Beira do Caos” e “Marcas da Revolta”. A banda estava empolgada, interagindo com o público, que entrou no espírito da festa e devolveu em forma de rodas de pogo agradecimento à banda. E, para consagrar a noite e presentear o público, a banda levou covers da banda Olho Seco, entre elas “Sinto”. Motivo para comentários e sorrisos de satisfação de quem presenciou um dos shows mais brutais que essa banda já fez na capital paulista. Pausa para se hidratar e tomar um ar. A essa altura a casa já comportava mais de 700 pessoas e logo subiram ao palco os quatro conterrâneos da rainha. Depois de uma “checada” no microfone feita por Wattie, batendo com ele em sua própria cabeça, o Inferno foi ali! rev-img_8256“Start a war” abriu o show e o público respondeu à altura, pogo e coros deram o tom da noite. A sequência de músicas clássicas da trajetória da banda seguia com energia e brutalidade, enquanto alguns se preocupavam em se divertir de outra forma – partindo pra agressão – e muitos procuravam o carimbo de fumante – mesmo não sendo – para poder pegar um ar na Rua Augusta e, assim, conseguir ver mais um pedaço do show. Entre os sons “UK 82”, “Fuck the System”, “Beat the Bastards” e “Sex and Violence”. Foi um show para entrar para a história com banda e público em sintonia. E nessa noite ficou comprovado e aqui registrado, mesmo correndo o risco de se cair na mesmice: Punk’s not dead!

Confira algumas fotos do show:

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Set List:

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Esfera Pública Contra-Cultural

Posted by revoluta On October - 30 - 2009 3 COMMENTS

esfera-publica-contracultural

Por Augusto Jr. *

…………Caríssimos e caríssimas, gostaria de tentar esboçar neste texto a forma pela qual interpreto e enxergo o meio underground, melhor dizendo, a esfera de sociabilidade na qual se formam redes comunicativas entre headbangers, punks, hippies, rappers, etc., devido à liberdade que me é dada neste espaço procurarei articular minha vivência acadêmica (enquanto estudante e pesquisador) com minha vivencia contra-cultural (enquanto guitarrista de uma banda de punk rock). Num primeiro momento esboçarei o conceito de Esfera Pública, construído por um dos mais célebres pensadores de nossa contemporaneidade: Jürgen Habermas. E por fim, a guisa de conclusão, procurarei demonstrar a minha forma de enxergar o meio underground emprestando o arcabouço teórico de Habermas, o qual creio ser de muita utilidade para este propósito.
…………Pois bem, vamos primeiramente à teoria. Jürgen Habermas desenvolveu suas considerações a partir da sua tese doutoral na qual analisa o surgimento de uma Esfera Pública burguesa na França, Alemanha e Inglaterra dos séculos XVIII e XIX. Esta esfera pública era caracterizada pela discussão livre de assuntos de interesse coletivo sendo que os Cafés, Pub’s e Salões eram as instituições deste mundo em que as pessoas “estranhas entre si” conversavam em pé de igualdade, como sujeitos livres e autônomos. Ao evocar a noção de esfera pública Habermas aponta para uma dimensão normativa da democracia que revela a necessidade de sujeitos críticos, capazes de fazer uso público da razão, numa sociedade de ideal iluminista. Ou seja, numa democracia entendida enquanto organização política de dominação consentida, as decisões precisam ser permanentemente justificadas e fundamentadas (COSTA, 1995).
…………Por esta perspectiva, podemos pensar o conceito de esfera pública como domínio daquilo que se pode falar sem reservas, uma arena pública e lócus de discussão e interação social. Cabe ressaltar que em seu primeiro momento ela se destaca pela crítica e consumo de obras artísticas e bens culturais, porém gradativamente a esfera pública burguesa literária adquire conotação e função política. Assim, tal noção diz respeito a um contexto difuso de relações no qual se concretizam e se condensam intercâmbios comunicativos gerados em diferentes campos da vida social. Esse contexto comunicativo constitui uma arena para a observação da maneira como as transformações sociais se processam, como o poder político se configura e como os atores da sociedade conquistam relevância na política contemporânea (AVRITZER & COSTA, 2004). O cientista político Wilson Gomes (2006) coloca o conceito habermasiano como uma condição de vida social na qual podemos tratar de idéias e assuntos de forma aberta, acessível, opondo-se àquilo que é ocluso e fechado. Ou seja, trata-se de uma conversação pública sobre cultura e política tal como ocorreu na sociedade burguesa em seus espaços de sociabilidade (os cafés, bares e salões). Evidencia-se uma relação entre a sociedade civil e a sociedade política, ou melhor, do controle cognitivo das relações sociais comunicativas sobre a esfera decisora da política.
…………Entretanto, a obra de Habermas (1962) aponta que a esfera pública burguesa dos séculos XIII e XIX acabou por ser “re-feudalizada” pelas técnicas de publicidade, no sentido de relações públicas, culminando na formatação e construção de um “público” acrítico, isto é, de aclamação e de uma opinião pública que se forma a partir de um consenso fabricado. Tal fato ocorreu devido a sua ampliação na qual adentraram os meios de comunicação de massa que tornaram os debates estilizados em forma de “show”. A razão crítica cultural e artística cedeu espaço para uma publicidade de função somente demonstrativa. Essa colonização provocada pelo mercado da publicidade comercial e pela razão instrumental do Estado retirou o livre debate de idéias e privilegiou a aclamação do “público” espectador (HABERMAS, 1962).
…………Contudo, a teoria habermasiana revela poder explicativo para alguns pesquisadores que aprofundaram o conceito de esfera pública e procuraram demonstrar que, mesmo sendo colonizada pelo mercado publicitário e pela razão instrumental, ela pode surgir em diferentes contextos e em diferentes formas de comunicação cultural. Desta forma, Cohen e Arato (1992) apresentam a noção de New Publics que reza que ao lado do crescimento da grande mídia e da penetração da cultura pelas lógicas do poder e consumo, há um processo de desprovincialização e modernização do mundo cotidiano dos atores sociais, ou seja, a criação e expansão de novos locais de comunicação crítica (subculturas, movimentos sociais, microespaços alternativos, etc..). Tais espaços são meios culturais de circulação de idéias e formas de vida pós-tradicionais que trazem inovação cultural e contestação dos padrões sociais, tal como o meio underground. Estes new publics pressionam por mudanças no padrão de comunicação pública e podem alterar a política institucionalizada e os paradigmas da sociedade. Assim, de uma esfera pública de núcleo fechado passamos para uma pluralidade de públicos alternativos que revivificam os processos e a qualidade da comunicação cultural e política. Outra autora relevante que utiliza o instrumental analítico de Habermas é Nancy Fraser, que constrói o conceito de Subaltern Counterpublics. Para a autora uma esfera pública única não considera as relações assimétricas de poder que marcam os processos de constituição das esferas públicas contemporâneas. O surgimento de Contra-públicos Subalternos (minorias étnicas, grupos discriminados, mulheres, etc.) denunciam os “vícios de origem” dos espaços públicos e constituem forças de democratização e ampliação política (AVRITZER e COSTA, 2004).
…………A esta altura do texto, você deve estar se perguntando o que todos esses conceitos têm a ver com o meio underground. As palavras ditas acima seriam apenas proselitismo acadêmico? Pois bem, a fim de começar a encaminhar o fim deste texto afirmo que aquilo que proponho a partir destes conceitos da Ciência Política e Sociologia é um debate a respeito do papel que o nosso meio – o meio underground – pode exercer na sociedade. Sem exageros, afirmo que formamos e fazemos parte de um tipo esfera pública (New Publics ou Subaltern Counterpublics), o que resta saber é se conseguimos fazer dela uma esfera pública com funções sociais e políticas. É importante reafirmar e relembrar, para a construção do meu argumento, que na sociedade burguesa dos séculos XVIII e XIX a esfera pública se constituiu primeiramente com funções culturais, de debates a respeito de peças teatrais, concertos musicais, obras de arte, etc. Havia entre os agentes daquela época uma solidariedade perante a publicização da subjetividade artística. Por meio da crítica artística o uso público da razão foi num primeiro momento destinado à esfera pública literária, que gradativamente deslocou seu foco para a política e para as questões sociais, tornando-se uma esfera pública política. É pouco provável que os burgueses daquela época tivessem a consciência daquilo que estavam construindo. Porém, o legado desta sociedade nos mostra hoje que é inegável que o nosso envolvimento com a arte e a cultura desperta-nos uma consciência crítica. Freqüentar atmosferas culturais (ou contra-culturais), seja ela um show musical, uma peça teatral, uma exposição fotográfica, etc., faz com que conheçamos sentimentos e visões de mundo diferentes, e muitas vezes, conflitantes com aquelas as quais fomos socializados. Isto é, o contato com a arte amplia nossa capacidade reflexiva e cognitiva. Uma esfera pública cultural desempenha, querendo ou não, conscientemente ou não, funções políticas e sociais e é essa a conexão que procuro fazer entre o conceito de Jürgen Habermas e o meio contra-cultural.
…………Deste modo, convido-os a fazer um exercício de abstração e transportar a noção de esfera pública para a atmosfera underground, na qual os sons das bandas de rock, dos rappers, os estúdios de tatuagens, os blogs, os bares, os fanzines, etc. são formas e espaços de sociabilidade em que interagimos, trocamos idéias e, acima de tudo, formamos opiniões (inclusive as nossas). Nossas redes de interações sociais também são (ou pelo menos deviam ser) capazes de gerar debates e discussões fundamentais que se encontram no seio da nossa sociedade e assim criar impulsos comunicativos alterando paradigmas, modos de comportamento, preconceitos e decisões políticas. Vamos pegar um exemplo: os movimentos Hippie e Punk a partir das suas músicas de contestação e estilo comportamental construíram um intercâmbio contra-cultural comunicativo (uma esfera pública contra-cultural) entre a juventude das suas respectivas épocas, estabelecendo laços de solidariedade devido ao mútuo reconhecimento entre si da realidade e dos problemas sócio-políticos que os cercavam, e que lhes eram comuns. Tais movimentos mudaram não apenas a história do rock, mas a própria história da sociedade. Pois, tal como ocorreu com a esfera pública do século XVIII e XIX, estes movimentos sociais que nascem a partir da arte adquirem, em maior ou menor medida, funções políticas de extrema relevância. Ou seja, os dizeres Flower Power (poder das flores) e Do it Yourself (faça você mesmo) não são apenas slogans sem sentido. Tomemos agora outro exemplo: sabendo que as decisões governamentais devem passar por um processo de discussão pública, qual o destino de uma política pública direcionada à juventude ou ao incentivo à cultura nas quais os mais afetados e supostamente interessados por elas são sujeitos que não possuem a clareza crítica de sua existência e papel social? Não é necessário raciocinar muito para responder essa questão, que obviamente nos revela um fim trágico. Temos responsabilidades com nossa rebeldia meus caros, aliás, muitas!
…………Nosso desafio está em termos em mente a consciência de que nossas músicas, poesias, pinturas, fotografias, grafite, etc., transparecem uma subjetividade que não é somente nossa, ao contrário, são reconhecidas em nossos iguais e que a partir disto formam-se redes sociais, influxos comunicativos, formação de opiniões e identidades coletivas. Desta forma, nosso espaço de sociabilidade, ou melhor, nossa esfera pública underground, também é formadora de opinião pública. O que nos resta fazer é assumir essa responsabilidade cidadã de utilizar os instrumentos que nos são dados, nossa arte contra-cultural, com muita responsabilidade e com um mínimo de consciência crítica. Somos agentes políticos numa arena de conflitos sociais na qual há sempre visões de mundo dominantes procurando nos impor um tipo de opinião pública de consenso fabricado, de “aclamação” do público tido como espectador e não de discussão e deliberação.
…………Caríssimos e caríssimas, encerro este texto com uma provocação: que tipo de agentes sociais e políticos do meio underground queremos/devemos ser? Pegando emprestado a genialidade de Stanley Kubrick, somos “laranjas mecânicas” controladas, manipuladas e reféns dos processos de racionalização instrumental do Estado e da comercialização publicitária do mercado? Ou, somos/podemos ser sujeitos que fazem uso público da razão, cientes de que as representações de mundo incorporadas em nossa subjetividade e que se refletem através do nosso visual, ilustrações e palavras são capazes de formar opiniões e construir uma esfera pública cultural (ou contra-cultural) com funções políticas? Eu já fiz minha escolha, faço e consumo arte engajada. E você?

…………* Bacharel em Ciência Política, especialista em Sociologia Política, Mestrando em Ciência Política, guitarrista da banda Cépticos e agitador contra-cultural.
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REFERÊNCIAS

AVRITZER, L. e COSTA, S. Teoria Crítica, Democracia e Esfera Pública: Concepções e Usos na América Latina. DADOS – Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, Vol. 47, no 4, 2004, pp. 703 a 728.

COSTA, S. A Democracia e a Dinâmica da Esfera Pública. Lua nova. N 36. 1995. pp. 55-65.

GOMES, W. Apontamentos Sobre o Conceito de Esfera Pública. In: MAIA, R. e CASTRO, M. C. P. (orgs). Mídia, Esfera Pública e Identidades Coletivas. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006.

HABERMAS, J. Mudança Estrutural da Esfera Pública: Investigações Quanto a uma Categoria da Sociedade Burguesa. 2ª ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003 [1962].

Resenha – Pünk na Päsköa 2009

Posted by revoluta On April - 14 - 2009 ADD COMMENTS

Pünk na Päsköa 2009
(Hangar 110/SP – 10 e 11/04/2009)

O Pünk na Päsköa, festival organizado pelo selo RedStar Recs, chegou ao quarto ano e o que já era esperado foi confirmado pelo público que lotou o Hangar 110 nos dois dias: o evento já virou uma tradição no feriadão de páscoa.
A fórmula de 14 bandas divididas em duas noites mais uma vez deu certo, com alguns deslizes normais num evento deste tamanho, mas que não tiraram a beleza da festa. Pelo palco do Hangar 110 passaram bandas de punk rock, ska, crossover, hardcore e metal mostrando a diversidade da cena underground brasileira e a harmonia entre bandas e estilos.

Texto Por Deise Santos

Fotos de sexta por Kaio Ramone


Sexta-feira – 10/04
Busscops + Naifa + Kaos 64 + Armagedom + Bandanos + Lobotomia + DFC

kaos64_punkpaskoa

As bandas que abriram a festa foram Busscops e Naifa, que infelizmente não pude ver por estar na estrada, a caminho de Sampa. Kaos 64 foi a próxima, com seu punk rock ácido e um show na medida certa, com o público chegando e entrando no clima da festa.
A banda tocou sons do álbum Nascemos para protestar e abriram espaço para em seguida subir ao palco a banda Armagedom, esperada por muitos que já haviam chegado ao Hangar 110 até aquele momento.
Sem dúvidas a banda tem experiência de anos de estrada e um show muito energético, entre os sons a banda levou “Ataque Suicida” e “Vingança”, mas infelizmente o som da casa ficou grave demais e a passagem do Armagedom pelo palco foi prejudicada por esse problema técnico.
bandanos_punkpaskoa01Na sequência, um circle pit foi sendo formado ao primeiro acorde da guitarra de Marcelo Papa, era a banda Bandanos no palco, levando pra frente a galera das bandanas e bonés levantados.
O show foi uma mescla de novos e velhos sons, onde tocaram “Indiferença”, “Justiça das Ruas”, “A song for George Romero” e músicas que estarão no split com Violator, apesar de alguns problemas nos microfones, a passagem do quarteto agitou o público e os cycos deixaram o palco para que o Lobotomia entrasse detonando tudo com “Nada é o que parece”, com Fralda (ex-RDP) no comando das quatro cordas e a participação de Gepeto em uma das músicas.

dfc_punkpaskoa3A banda tocou sons do novo álbum Extinção e clássicos esperados como Lobotomia, a noite foi chegando ao fim e entrou no palco os brasilienses do DxFxCx, Túlio e companhia fecharam o primeiro dia com muito hardcore, num clima de festa. O público se sentiu à vontade para subir no palco e dar stages dives a todo momento e a banda brindou o público com suas músicas divertidas e rasgadas como “Todos eles te odeiam”, “Vai se fuder no inferno” e pra fechar “Molecada 666”, com o palco cheio de uma molecada que parecia estar possuída pelo demônio e assim terminou o primeiro dia do festival.

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Sábado, 11 de abril
Imminent Chaos + Extra Stout + DZK + Atroz + Ação Direta + Invasores de Cérebros + Cólera

O público apareceu em peso ao Hangar 110, para mais um dia da festa do coelhinho, sem chocolate, mas com muita cerveja e sonzeira rolando direto. Os trabalhos foram abertos bem cedo pela banda do ABC paulista, Imminent Chaos, hardcore/metal de qualidade, mas por conta do horário somente um pequeno grupo de pessoas pode conferir a brutalidade sonora que é um show desse trio, que tocou músicas do álbum Corrosion of Human Essence, entre elas “Last Judgement” e do novo álbum que será gravado no estúdio DaTribo, como “Labuta”. Pra quem não viu, aqui vai uma palhinha:

Com a casa um pouco mais cheia, subiu ao palco a banda de ska Extra Stout, com 8 integrantes (entre eles integrantes do Agrotóxico e do Flicts) a big band de ska contagiou a galera presente com um ska bem executado, com letras divertidas e aquele “quê” de felicidade que os metais conseguem dar a esse ritmo. Entre as músicas estavam “Me sinto bem”, “Pai Tomé” e uma versão de “O poderoso chefão”, que foi devidamente oferecida pela banda ao Alemão, dono do Hangar110. A única representante do ska no fest deu seu recado e já deixou o público no esquema para receber a banda DZK, punk rock clássico que tem seu lugar de destaque, merecidamente, dentro da cena underground e que fez um show redondo, com as clássicas “Crianças Abandonadas” e “Desespero”, no repertório. O quarteto deixa o palco e é a vez da Atroz entrar em cena, com o som cada vez mais brutal a banda apresentou músicas do novo álbum Diabolus in Lula, como “Os donos do Mundo”, com letra escrita por Jonhie (vocalista da banda portuguesa Simbiose) e “Bandeira”, além de músicas do primeiro álbum da banda como “Emissário da Guerra”, “Vacilou se fudeu” e pra fechar “Só nos resta o ódio”.
Na sequência subiu ao palco mais uma banda do ABC paulista, a Ação Direta, com 20 anos de estrada, a banda está em plena forma, com um show contagiante, temperado pelas letras afiadas e a sonoridade cada vez mais direta e pesada. “Corpo Fechado”, “Entre a benção e o caos” e “Deuses, Dogmas e a Violência”, fizeram parte do set list desse autêntico show de hardcore, com pitadas elevadas de metal.
Pausa para respirar, num Hangar 110 lotado e sobe ao palco os Invasores de Cérebros, ninguém duvidava que seria mais um show histórico dessa banda – que por si só já conta a história do punk rock no Brasil, junto com outros nomes não menos importante para a cena underground tupiniquim -, mas ver Ariel e sua turma no palco é sempre uma aula de amor ao punk rock, com a execução de um show intenso mesclado com palavras de ordem entre as músicas, sarcasmo e muita acidez nas letras. Entre os sons “Porra de Vida” e “São Paulo”, com a galera subindo pra cantar junto e fazendo a festa.
Com o público no auge, depois da passagem de bandas de vários estilos, ainda mais para quem foi aos dois dias no Hangar 110, chegou a hora do trio Cólera entrar no palco. O show tinha uma atmosfera de festa e alegria e apesar da casa estar cheia, a harmonia estava no ar: público empolgado e banda idem, temperos importantes para uma autêntica festa punk, orquestrada por uma banda que está há 30 anos na ativa. Como o tempo foi democraticamente dividido entre todas as bandas, o público assistiu a um show curto, o que não é muito comum em se tratando da banda Cólera, mas o que foi visto e ouvido foi o que poderíamos chamar de “filé sonoro” da discografia do trio, começando com “Cultural Revolução”, “São Paulo”, “Águia Filhote”, “Medo” e pra fechar “Pela Paz em todo mundo”, que pode ser vista e ouvida aqui:

Enquanto a banda tocava uma música atrás da outra, o público respondia à altura e era possível ver no pogo integrantes das bandas que dividiram o palco se divertindo junto com os fãs.
Bela forma de se terminar uma festa, que durou dois dias e pode ser vista como um raio-x da cena underground, com shows de qualidade e casa lotada.

Vou mudar para o interior

Posted by revoluta On November - 15 - 2008 ADD COMMENTS

Primeiro acreditei que era algo pontual, localizado em certos redutos e por isso nunca cheguei a comentar, mas de uns tempos pra cá a visão que tenho de cidades do interior é que: Lá estão as oprtunidades! Enquanto milhões de seres se acotovelam nas grandes cidades por uma oportunidade de trabalho, de alimentação, de estudo, até amorosa, o interior do Brasil vem ensinando aos culturados cosmopolistas como é que se promove o cenário local. Acredito que em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo essa noção da “coisa nossa” se perdeu em meio a embarques e desembarques do Santos Dumont ou do perigoso aeroporto de Guarulhos. Somos internacionais por aqui. Sabemos detalhadamente tudo o que rola no subúrbio de Paris, nos guetos de Nova Iorque mas nem mesmo sabemos chegar no Parque Edu Chaves (para os paulistas) ou em Marechal Hermes (para os cariocas).
No cenário ao qual participo,  o da música independente, nossa Cidade Maravilhosa é uma completa trevas para as bandas. Organizadores aproveitadores (pague para tocar), falta de prestígio pela produção autoral, casas sem estrutura e descaso do poder público relegam o cenário a um patamar abaixo do merecido. Bandas cariocas que se mantém na ativa, para que tenham bons shows e público, tornam-se nômades. Ficam de 6 a 10 meses sem fazer um show sequer em sua cidade. São Paulo o cenário muda mas ainda possui características em comum. O número de casas é absurdamente maior ao carioca e ainda há certa estrutura mas como no Rio de Janeiro, o cenário independente possui um abismo entre as péssimas e boas casas ao qual apenas uma boa apresentação ou CD não é o suficiente. Um Paitrocínio para bancar a abertura daquela banda sensação ou daquela roupa da moda é mais importante do que o som dos instrumentos. A culpa é de quem se rebaixa a essa situação, de quem entra para uma atividade MUSICAL colocando outros quesitos na frente deste que sempre deveria ser o principal.
Eventos como o Cardápio Underground, liderado pelo mestre Quique Brown em Bragança Paulista, o Festival Hardcore Contra a Fome de Teresópolis, o Linguarudos de Joinville, o Alternativo Rock Festival 2008 de Itabirito, o Monster Of Roça de Paraibuna entre tantos outros mostram que fora dos grandes centros iniciativa  privada e pública abrem-se à experimentação, a tentativa, apostam na cultura sem que exijam absurdos retornos financeiros, assim abrindo espaço para a cultura local.
Vale lembrar que não citei os atualmente mega festivais Abril Pro Rock, MADA, Do Sol, Goiânia Noise (que está desembarcando em SP) e outros que começaram miúdos, sem grandes pretensões e agora são referências nacionais.

JMauro Leandro Pimentel

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